domingo, 14 de abril de 2013

Possibilidades de Reciclagem e Reaproveitamento do Lixo na Zona Rural

Reciclar significa transformar objetos, materiais usados, em novos produtos para o consumo. Esta necessidade foi despertada pelos seres humanos, a partir do momento em que se verificou os benefícios que este procedimento trás para o nosso planeta. 
Assim como nas cidades, na zona rural a reciclagem também acontece. O lixo orgânico (sobras de vegetais, frutas, grãos e legumes) é utilizado na fabricação de adubo orgânico para ser utilizado na agricultura. 
Quem vive no espaço urbano pode ter a falsa impressão de que no meio rural, que concentra apenas cerca de 20 % da população, o problema do lixo é insignificante. Porém os resíduos da produção vegetal e animal podem gerar uma quantidade de lixo muito significativa. Todavia, parte considerável do problema pode virar solução no dia-a-dia da propriedade.

Dados do IBGE2 mostram que o trabalho de coleta de lixo na área rural ainda é insuficiente, atingindo apenas 20% dos domicílios brasileiros. Entre as famílias residentes nas áreas rurais, 60,6% não contam com serviços de abastecimento de água e cerca de 80% informam não dispor de serviços de coleta de lixo. No início dessa década 52,5% do lixo do meio rural era enterrado ou queimado. A realidade mostra que o lixo rural tem coleta cara e difícil o que leva os agricultores a optarem por enterrá-lo ou queimá-lo. 

A energia e criatividade que vem do lixo 


O lixo rural também pode ser fonte de energia elétrica, tornando o produtor auto-suficiente. Com o biodigestor, por exemplo, o produtor rural pode transformar os dejetos de suínos, de aves e de bovinos em alternativa energética (gás metano), além de obter um excelente adubo orgânico (biofertilizante). A matéria-prima mais utilizada no biodigestor, o esterco animal, pode ser reciclado dentro da propriedade. Outros tipos de compostos orgânicos também podem ser utilizados, tais como: restos de cultura, capins, lixos residenciais e de agroindústrias.

Outra alternativa, é o aproveitamento dos restos de culturas para agregar valor, como é o caso, por exemplo, da fibra da bananeira e da cana utilizadas como matéria-prima na fabricação de papel. No artesanato, entre diversas opções, a palha da bananeira tem se destacado na fabricação de sacolas, abajures e jogos para mesa. Na horticultura, a fibra reciclada do fruto do coco tem se mostrado como um substituto altamente satisfatório para o xaxim, espécie ameaçada de extinção, no cultivo de mudas de hortaliças, flores e plantas ornamentais.

Coleta seletiva, reciclagem e consumo consciente

Algumas ações pioneiras mostram que o ideal é orientar os agricultores, por meio de um trabalho de educação ambiental, para reciclar a matéria orgânica na sua propriedade. Além disso, postos de reciclagem para a destinação e controle das embalagens de agrotóxicos e produtos veterinários, devem ser viabilizados para facilitar a coleta. 

As novas estratégias para gestão de resíduos sólidos implicam numa mudança radical nos processos de coleta e disposição de resíduos. Os novos sistemas de tratamento de lixo devem ter como prioridade a montagem de um sistema circular, onde a quantidade de resíduos a serem reaproveitados dentro do sistema produtivo seja cada vez maior e a quantidade a ser disposta no ambiente cada vez menor, bem como uma diminuição dos resíduos produzidos nas fontes geradoras.
Se o homem souber utilizar os recursos da natureza, podemos ter, muito em breve, um mundo mais limpo e mais desenvolvido.

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